O Primeiro Dia
"Saia! Pare! Não! Vem aqui! Não pode! Cachorra dos infernos! Vem cá pequena! Que linda!". Estas palavras passaram a fazer parte da nossa rotina desde o último dia 30 de setembro. Neste mesmo dia, fomos morar na nossa nova casa, em Amaralina. Tudo por causa dela. Até então, tínhamos ficado 4 meses acampados nas casas das sogras, mães, tias, etc... Mas, vamos voltar um pouco atrás nessa história e contar como tudo começou...
Ganhamos Reiko da generosa dona Masé, mãe do nosso querido Bruninho "Pizza", love da minha best friend Cris Nilmahall, amiga de todas as horas e colega de profissão – somos jornalistas - (lá se vão mais de dez anos, né amiga? Desde que entramos na Facom, em 96! Vixe, isso me lembra que já batemos a casa dos 30, ou melhor, passamos, mas isso é assunto pra outro post...), e nas horas vagas, dublê de dj e cantora – hehehe...Bruninho, então, nem se fala. Amigo-irmão do meu amor é jornalista, cantor e compositor da P.I. (Pessoas Invisíveis, banda que eu a-do-ro) e também arrisca nas pick-ups nas horas de lazer. Pois bem, depois deste longo “parêntese”, vamos voltar ao que interessa.
Ainda nem tínhamos pensado na possibilidade de nos mudarmos para a nova casa, que alugamos com um amigo de Brust, my love, (ô,ô, my love, como já cantou Paulo Mccartney, um das minhas canções preferidas). Durante quatro meses, a casa ficou fechada com nossa mobília enquanto promovíamos uma “pequena” reforma – que durou, pasmem, quatro longos meses... A casa é antiga e precisava de algumas melhorias. O problema foram os pedreiros e pintores que arranjamos, ô raça! Fomos enrolados até a alma! Mas foi assim, em meio a caixas, jornais espalhados pelo chão, muita poeira e material de construção que fomos obrigados a aportar por causa dessa “benção”.
Quem me conhece, sabe que eu tinha pavor de cachorro. Mas, curiosamente, eles gostavam de mim, não sei por que... Porém, a idéia de morar em uma casa nos fez pensar na segurança, e um cão ajuda nesse caso. Fora a companhia que ele traz – e o trabalho que dá, ufa! Quando Bruninho anunciou que tinha uma ninhada para doar, Brust logo se candidatou. Eu fui contra, de primeira, mas depois voltei atrás, apesar de me perguntar “será que vamos conseguir criá-lo? E se ele ficar doente, morrer, deus me livre!”. Pedimos o macho branco. Perdemos. Aceitamos o macho preto. E ganhamos uma fêmea preta, que só soubemos na hora, mas tudo bem, né seu Bruninho? A cavalo dado... Já tínhamos recebido o recado de dona Masé, pra irmos buscar o cachorro, que tava crescendo – tinha um mês e meio – mas, aonde botar ele??? Até que chegou o dia “D”.
No dia 30, Brust iria me levar para minha primeira sessão de acupuntura, por causa das minhas infernais enxaquecas, mas me atrasei e desmarquei no caminho. Foi quando Brust bateu o fone e disse “Bruninho, to indo aí buscar o cachorrro”. Eu gelei. Quando entramos na casa de Bruninho, a minha primeira visão foi do pai de Reiko, da raça Akita, oriunda do Japão. Lindo, meio cinza e branco, com olhos puxados. Já a mãe, nem passei perto, um Labrador bravo, disseram. “Ai, meu Deus, agora não tem volta”, pensei. Tava nervosa, chega tremia por dentro. Até que ela apareceu, carregada nas mãos da empregada da casa. Nunca vou esquecer da cena. Parecia uma bola preta de pêlo. Toda gordinha, com um pêlo arrepiado e denso e também bem fechado. Eu mas passei a mão na cabeça dela, que tinha acabado de fazer xixi na sala – se eu soubesse que este era um indício, nunca teria deixado ela ficar dentro de casa com a gente...
Depois de ouvirmos todas as recomendações de dona Masé, que demonstrou ser apaixonada por cães, seguimos nosso rumo. Num impulso, e incentivada por Brust, carreguei ela nos braços, meio sem jeito – analogias à parte, era como quem pega um filho recém-nascido pela primeira vez – e saímos. Era uma situação totalmente nova para mim. Pode até parecer besteira para quem já convive com ou já teve cachorro. Mas eu nunca suportei cheiro de ração, quiçá de cachorro. Era outro mundo. Meu único contato com o reino animal era insetos e passarinhos, que meu pai sempre criou. Se bem que já tivemos uma gata, Mimi, ms tem tantos anos, que nem lembro se gostei. Mas, voltando... Entramos no carro e eu levei ela no meu colo. O coraçãozinho batia a mil e eu rezava pra ela não fazer xixi em mim.
Chegamos na casa e colocamos ela na área externa, que estava repleta de material de construção e coisas da mudança. Pronto, era ali mesmo que ela iria ficar. Era terça-feira e eu tinha que ir trabalhar de tarde e à noite encontraria com Brust no ensaio da banda – meu love também é cantor, compositor e guitarrista da The Honkers, guitar band de rock “doido”. Foi só bater a porta pra ela começar a chorar. Foi meu primeiro sentimento de apego com ela. Mas tínhamos que ir embora. Deixamos água e mais tarde traríamos comida.
Chegou a noite e depois do ensaio, fomos lá vê-la. Na chegada, já ouvíamos o choro, tadinha. Assim que nos viu, parou logo. Depois de vermos que ela estava bem, decidimos deixá-la passar a noite só, mas a consciência pesou. Primeiro Brust quis ficar e dormir na casa. Mas eu queria ficar junto também. Pronto, começamos a morar! Do jeito que tava, em meio a poeira e sujeira, limpamos o chão de um dos quartos, colocamos o colchão no chão e ali dormimos. Mas, não adiantou. Foi uma noite em claro com ela chorando...


8 Comentários:
Às 1 de novembro de 2008 às 10:10 ,
Jane Figuerêdo disse...
Gente!Já ia me esquecendo! Hoje é meu aniversário de namoro: cinco anos e seis meses. E que venham mais...felizes, ternos e verdadeiros! Amor, tiama, viu?
Às 2 de novembro de 2008 às 04:24 ,
Unknown disse...
Eiiiii!Eu sou a dinda dela e tb faço parte desta história.E que ninguém nessa face da terra ouse maltratar minha afilhada.Tá avisaso.Hunff!
Às 2 de novembro de 2008 às 05:46 ,
Eniara Figueredo disse...
http://esportelazersaude.blogspot.com/
ESSE É MEU BLOG.ENTREM E DEIXEM SUAS CRÍTICAS,SUGESTÕES.
Às 2 de novembro de 2008 às 17:07 ,
Brust disse...
é o prefácio do livro, né? se aplique, quena!
Às 3 de novembro de 2008 às 01:39 ,
Thilindão612 disse...
Seu pai criava insetos? hehehe
Rapaz, ter um cão é uma experiência inequiparável.
Boto pilha que continues a escrever essa história. Estarei aqui acompanhando (aí também).
Às 3 de novembro de 2008 às 04:02 ,
Anônimo disse...
É, pra quem sempre teve medo de cachorro, amiga, vc evoluiu muito.
Afora que Reiko derrubou minha bolsa, mastigou minha necessaire, mordeu meu celular e me deu de presente vários arranhões na perna, ela é uma cadelinha fofa.
Fico feliz em ter contribuído pra que você(s) viva(m) esses momentos de felicidade com Reiko (só lembrando, fui eu que dei a idéia a Bruno pra oferecer ela pra vocês. Hehe).
Vida longa à linda família, que ficou mais graciosa ainda, com a chegada de Reiko.
Bjos, amiga!
Às 4 de novembro de 2008 às 10:52 ,
Gabriela R. Almeida disse...
Que ótimo ler esse texto, Jane. Eu amo bichos, cachorros especialmente. Lembro bem que você não gostava mesmo, mas que bom que isso se reverteu. Ah, o apego só aumenta, se prepare :)
Às 4 de novembro de 2008 às 13:13 ,
Unknown disse...
Reiko é um fofa! Combina com vocês. Estou esperando os novos capítulos. Beijo
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